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A informação foi divulgada pelo Jornal de Jales:

Alguns órgãos de imprensa da cidade, entre os quais o Jornal de Jales, receberam postagem em suas redes sociais, por volta das 8 horas da manhã, avisando que iria se suicidar, indicando até o local onde seu corpo poderia ser encontrado em um motel em Jales. 

A Polícia Militar também foi avisada e alguns soldados PM partiram para o local, mas era tarde. Robson Furini Moro, de 35 anos, já tinha colocado terno à vida.


Eis a íntegra da mensagem testamento que deixou no Facebook, na página Ponto e Vírgula, criada por ele:

Prezados Amigos e Familiares,

Não deu. Simples assim. Se você está muito surpreso, é porque não me conhecia tão bem. Se me conhecia, sabe minha luta, sabe o que enfrento há anos. E é isso, não deu.

Por trás de cada sorriso, por trás de cada disposição para fazer as coisas, havia a dor. Havia a tristeza. A decepção comigo mesmo, a frustração. O fim do dia, quando eu permitia que minha cabeça saísse do 220, era um momento muito difícil.

Sempre me senti uma decepção. Falhei em cada aspecto da minha vida. Falhei como homem, falhei como filho, como parente, como profissional. Tive sonhos simples, mas vi cada um deles desfeito pela vida. A culpa sempre foi minha. E com isso veio um buraco no peito tão grande, uma dor que não doía, um buraco que suga e desespera, arde e queima, mas não fisicamente, enquanto a mente se afunda em dor e desespero, em culpa e miséria. Só eu sei o que eu enfrentava.

Mas enfim, o objetivo desse texto não é esse.

Em primeiro lugar, quero pedir desculpas. Quero pedir perdão. Pela dor que causei a alguns de vocês com isso, pelas explicações que outros terão que dar. Não era minha intenção, e se eu fosse pensar nas pessoas que amo, não teria tomado essa atitude. Mas passei minha vida pensando nos outros, fazendo pelos outros, achei que merecia um pouco de egoísmo. Me perdoem. Precisei pensar mim.

Em segundo lugar, quero deixar meu obrigado. Meu muito obrigado, a todos os grandes amigos e familiares que passaram pela minha vida. Cada um de vocês deixou algo especial. Algumas pessoas foram mais importantes que outras, estiveram lá nos momentos certos, me permitiram chegar até aqui. Sem algumas pessoas eu teria partido antes.

Obrigado pelas risadas, pelas brincadeiras, pelos abraços, pelas aventuras, pelos desabafos, pela compreensão, pelos momentos em geral. Cada um que passou pela minha vida me proporcionou bons momentos. E aprendizado. Alguns de vocês são muito, muito especiais (essas pessoas vão saber que falo delas), mereciam um amigo melhor que eu. Por todos vocês, eu tentei, eu lutei. Mas ficou pesado demais, eu perdi os sonhos, as perspectivas, a esperança. Cada dia se tornou um caminhar sobre um mar de espinhos. Angústia sob angústia, engasgado por um buraco no peito que eu não conseguia descrever.

Não se preocupem, não foi impulsivo. A vontade existia há anos. E após o último baque que levei, decidi que não ia mais deixar o destino jogar comigo. Há três meses eu tomei essa decisão. 16 de agosto. Esperei três meses para deixar tudo em ordem, estudar, ajeitar as coisas, ter certeza. Criar a página para um dia poder programar as mensagens, fingir que era sobre mensagens (todas são sinceras, cada frase refletiu o meu jeito de ver as coisas). E orei, pedi um sinal, um sonho que fosse, que me dissesse que não era esse o caminho. Não veio nada. Nem um sinal. Entendi como uma permissão.

Alguns vão me chamar de fraco, de desistente, e não me importo. Não estou aqui pra ligar pra isso, e somente eu sei o que se passava em minha cabeça. Fraqueza é não admitir pra si mesmo quem é, ou do que precisa. O resto é fingimento.

Mas eu não desisti, não abandonei tudo e estou descansando. Eu só escolhi mudar a arena da minha luta. Possivelmente neste momento estou em algum lugar sofrendo com a culpa, com decepção comigo mesmo, e isso vai levar um tempo. Só que são coisas que eu já enfrentava em vida. Me doíam e me destroçavam. A diferença é que possivelmente, no lugar onde eu talvez esteja, há esperança. Assim que me for permitido, vou ser resgatado por agentes do bem. Vou receber tratamento, curar minha alma. Essa é a chave da questão. Eu não tinha mais esperança de cura para essa dor nesse mundo. Pra onde vou (se é que as coisas são como acredito), a dor também vai existir, mas haverá uma luz no fim do túnel.

Jesus ensinou, na parábola do Filho Pródigo, que um pai amoroso não renega e castiga um filho que volta pra casa depois de errar, machucado, depois de tentar. E, se Deus é amoroso como acredito, é assim que vai ser. Esse Pai vai receber um filho doente, eu espero. O que não impede que eu sofra com a culpa e o desespero por um tempo.

Enfim, achei que meus amigos mereciam um esclarecimento da minha parte. Pelo menos para compensar o que fiz e para que não se arrependam dos momentos que me deram. Eles foram valiosos, e me sustentaram muitas vezes.

Sinto que tenho que dizer isso: Pode parecer hipócrita da minha parte (e é), mas esse NÃO É O CAMINHO. É a pior coisa que alguém pode fazer a si mesmo, e se cheguei a esse ponto, é porque meu poço atingiu um fundo do qual eu não vi mais saída alguma. O que eu fiz não me deu uma saída, a vida continua, e eu vou sofrer do mesmo jeito. Por um bom tempo. Conto com as orações de vocês, se é que posso pedir isso.

Se servir de alguma coisa, fica o alerta: Não brinquem com depressão. Se alguém próximo a você está passando por isso, acredite. Dê apoio. Não diga que é frescura, que é falta de enxada. É doença, séria, e há uma linha que se a pessoa atravessa, mesmo com tratamento e remédio, não tem volta. Não tem cura. Eu tive o privilégio de ter pessoas compreensivas e atentas ao meu lado sempre, mas eu busquei tratamento tarde demais, eu já estava fundo demais para ser resgatado. O tratamento só me permitiu cair mais devagar.

A música na postagem resume bem minha vida nos últimos anos.

E por favor, olhem para as pessoas ao seu redor. Tem muita gente sofrendo que só está esperando alguém perguntar. Vi isso todos os dias. As pessoas precisam deixar de ser indiferentes. Aprendam a ler o olhar das pessoas. A conversar, a perguntar qual o problema. Vejo amigos que sabem se divertir juntos, mas quando precisam conversar sobre um problema não sabem o que fazer. É preciso ouvir com o coração. Estão todos tão acostumados a responder que “está tudo bem”, que ninguém se abre. Pergunte duas vezes, repare se alguém estiver quieto demais. Enxergue a lágrima que não escorre. Esse mundo assustador e desesperador está precisando disso. Seja a diferença. Se hoje você tira um tempo pra ouvir alguém que sofre, amanhã esse alguém reconhecerá o valor desse gesto e fará por outra. E assim vai. Uma professora fez isso por mim na adolescência e aprendi a prestar atenção, pois naquele dia eu fiz de tudo pra chamar a atenção dela, pra que ela perguntasse meu problema. E me ouviu. E eu jurei que seria como ela. Não sei se consegui, mas o que importa é o quanto o que ela fez me marcou. Me incentivou a repetir o gesto. Então sejam a diferença na vida de pelo menos uma pessoa, e esse bom gesto se espalhará como raízes. Se olhem, se ouçam, sejam o ombro amigo. Se eu posso pedir algo, se eu tiver esse direito com você, é isso que peço: Preste atenção ao próximo.

No mais, obrigado pessoal, de coração. Se aguentei até aqui, foi por ter vocês na minha vida. Que Deus abençoe a todos, não vou prometer nada, não tenho certeza do que me aguarda, mas espero que no futuro possamos nos reencontrar. Agora bola pra frente, vocês sabem que não gosto de lamentação. A vida segue e tem gente precisando aí fora.

Obrigado por tudo!

Robson Furini Môro


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